Cancro da Próstata...
O cancro da próstata é um problema de saúde mundial. É o segundo cancro mais comum no Homem, com 1,3 milhões novos casos e 360,000 mortes estimadas para o corrente ano civil. Em Portugal tem-se verificado um aumento da incidência desta doença sobretudo a partir de 2008, estimando-se que em 2020 no nosso país foram diagnosticados mais de 6000 casos e 1917 mortes de homens devido a cancro da próstata.
De facto, dada a elevada incidência é fácil compreender que o cancro da próstata não é apenas uma doença do Homem. É também uma doença que afeta a sua ompanheira, os seus filhos, os seus familiares e também os seus amigos. É uma doença com impacto nas relações interpessoais, nas relações profissionais e com consequências sociais e económicas importantes. E, se muitas vezes olhamos para esta doença como algo remoto e longínquo, devemos sempre lembrar que 1 em cada 7 homens vai ter cancro da próstata durante a sua vida….
Diagnóstico precoce é decisivo.
O cancro da próstata é, na sua fase inicial, “silencioso”, não causa qualquer sinal ou sintoma. O diagnóstico precoce, na fase inicial da doença, é crucial pois para estes doentes o tratamento resulta em elevadas taxas de cura.
Embora se percebam as vantagens de diagnóstico precoce, hoje em dia não existe nenhum programa de rastreio para cancro da próstata aprovado por nenhuma sociedade científica. O diagnóstico do cancro da próstata continua a ser feito por biópsia, realizada após obtenção de valores de PSA sugestivos de doença.
O PSA embora não seja específico para cancro da próstata, continua a ser o único, e o melhor marcador sanguíneo existente na clínica. Antes do seu uso (antes de 1980) os doentes eram diagnosticados pelos sintomas, e já com doença metastizada. Desde o início da sua utilização (meados de 1980) até ao ano 2000, assistimos a um aumento do número de diagnósticos de doentes não sintomáticos com doença localizada (menos agressiva); a uma diminuição do número de doentes com doença metastática, e uma diminuição da mortalidade por cancro da próstata. Portanto, um meio auxiliar de diagnóstico com óbvias vantagens para médicos e doentes.
No entanto, e apesar dos evidentes benefícios na sua utilização, em 2012, a US Preventive Services Task Force (USPSTF) recomendou contra o uso do PSA como forma de rastreio do cancro da próstata. Consequentemente, a diminuição do uso do PSA como meio de diagnóstico precoce, resultou num aumento significativo de novos casos de doença avançada e metastizada, e num aumento do número de mortes por cancro da próstata.
Em resultado, em 2017, as indicações da USPSTF foram revistas e a decisão de avaliar o PSA pertence ao médico e ao doente, numa decisão partilhada em que riscos e benefícios são discutidos.
Como é natural, nenhum Homem quer pensar em cancro da próstata. Mas os benefícios de um diagnóstico precoce são claros, pelo que com base numa decisão informada o médico urologista deve oferecer a realização de PSA aos homens com mais de 50 anos, e aos que têm história familiar de Ca da Próstata aos 45 anos de idade.
Os recentes avanços verificados nesta área poderão, a curto prazo, trazer para a clínica novas formas de diagnóstico. No entanto, para já, recomenda-se a todos os Homens uma atitude proactiva na procura de esclarecimento sobre o cancro da próstata e na realização da avaliação do seu PSA e exame físico de acordo com as atuais recomendações.
Que exames são realizados para diagnosticar o cancro da próstata?
O diagnóstico de cancro da próstata é histológico, ou seja, é sempre necessário realizar uma biópsia prostática para ter um diagnóstico definitivo. No entanto, a avaliação de todos os homens passa numa fase inicial pela realização de um exame físico pelo Urologista (com toque retal) e avaliação do PSA (antigénio específico da próstata) em análise sanguínea. Em função destes resultados: (PSA) e avaliação clínica; poderá ser sugerida a realização de uma ressonância magnética da próstata. A ressonância permite uma avaliação anatómica da próstata, mas também funcional e assim determinar zonas da próstata suspeitas de serem cancro. Este exame veio alterar o modo como podemos fazer biópsias, que passaram a ser biópsias de fusão, e que permitem de modo muito preciso localizar as zonas da próstata suspeitas e aí proceder à remoção de tecido para diagnóstico.
Que tratamentos existem?
Focando-nos apenas na doença localizada, ou seja, a doença que está apenas localizada à próstata e não há evidência de outros focos de doença em outros locais do corpo… o objetivo do tratamento deverá ser sempre com objetivo curativo. Aqui temos sobretudo duas opções: a cirurgia e a radioterapia externa. A cirurgia – prostatectomia radical – pode realizar-se por via aberta (com uma incisão), via laparoscópica ou por via robótica. Na CUF Coimbra, sempre que possível optamos por uma abordagem menos invasiva por laparoscopia ou cirurgia robótica, pois há uma recuperação mais rápida da continência e a melhor preservação da função erétil, os doentes têm menos dor e regressam mais precocemente o trabalho. A radioterapia externa, é muitas vezes acompanhada de tratamento hormonal (dependendo do estádio da doença). Existem, também para doença localizada, outras opções de tratamento de que dispomos e são elas a braquiterapia e radioterapia esterotáxica (cyberknife). É importante dizer que as indicações para estas últimas abordagens (braquiterapia e cyberknife), são limitadas e nem todos os doentes com doença localizada devem ser tratados por estas técnicas, pois não serão eficazes. Outras opções existem, designadas de terapêutica focal – HIFU e electroporação – com resultados cada vez mais interessantes no controlo da doença oncológica a longo termo.
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