Cancro do Rim

O cancro do rim é um problema de saúde global. Ligeiramente mais frequente nos homens do que nas mulheres, é geralmente diagnosticado entre os 50 e 70 anos de idade.

Epidemiologia

O cancro do rim é um problema de saúde global. Ligeiramente mais frequente nos homens do que nas mulheres, é geralmente diagnosticado entre os 50 e 70 anos de idade. A vulgarização do recurso a meios complementares de diagnóstico de imagem (por exemplo ecografia, para avaliação de dores lombares, “pedra nos rins”) tem resultado num aumento significativo do diagnóstico de tumores do rim – sobretudo lesões de menor dimensão e menos agressivas. Em 2020, 336.456 pessoas foram diagnosticadas com cancro do rim em todo o mundo. Em Portugal, representa cerca de aproximadamente 2-3% de todos os tumores malignos, estimando-se que surjam cerca de 1191 novos casos e aproximadamente 529 mortes anualmente.

Tipos de Cancro do Rim e Fatores de Risco

Cancro do rim (também designado de carcinoma de células renais) é a denominação genérica para uma massa renal. O cancro do rim que pode ser de tipos histológicos diferentes: carcinoma de células claras (80%), carcinoma papilar (10-20%) e carcinoma cromófobo (5%) são os mais comuns. O diagnóstico definitivo do tipo de cancro só é possível por biópsia renal ou após remoção do tumor por abordagem cirúrgica.

O tabaco, a hipertensão arterial e a obesidade são fatores de risco conhecidos para a doença. Assim, uma alimentação cuidada e a evicção de tabaco são medidas importantes que podem evitar o aparecimento de cancro do rim.

Diagnóstico, Estádios de Doença e Terapêutica

Na sua grande maioria os doentes com cancro do rim são assintomáticos, sendo diagnosticados em exames de imagem de rotina. No entanto, a persistência de dor lombar acompanhada de sangue na urina pode ser manifestação da doença e merece avaliação clínica precoce.

Os tumores de dimensões reduzidas (< 3 cm) têm geralmente um comportamento indolente (raramente metastizam, são pouco agressivos) e podem não necessitar de tratamento – podem ser vigiados ao longo do tempo (com auxílio de tomografia computorizada (TAC) ou ecografia). Outros tumores diagnosticados em fases mais avançadas da doença (lesões de maior dimensão, invadido órgãos anexos) ou que têm um comportamento mais agressivo necessitam de terapêutica, normalmente cirúrgica (com o objetivo de remoção do tumor).

Os diferentes tipos de tumores do rim, bem como diferentes estádios da doença têm motivado intenso estudo sobre este cancro, o que tem resultado em diferentes opções terapêuticas que variam deste a simples observação (sem necessidade de tratamento), passando por abordagens minimamente invasivas mais inovadoras (crioterapia, ablação de tumores por radiofrequência, ablação de tumores renais por laser); cirurgia minimamente invasiva (cirurgia robótica e laparoscópica) até à terapêutica sistémica com anti-angiogénicos e imunoterapia em doença metastizada. Em regra, a abordagem minimamente invasiva (cirurgia em que se remove/destrói apenas o tumor – por cirurgia laparoscópica; cirurgia robótica, ablação por radiofrequência, crioterapia ou terapêutica por micro-ondas) tem por objetivo preservar a parte “saudável do rim” e é apenas opção para pequenas massas renais. No entanto, nem sempre a preservação do rim é possível, e em casos de lesões de dimensões aumentadas é necessária a remoção de todo o rim.

Todas estas opções tornam este um cancro muito interessante no que diz respeito às possibilidades de desenvolvimento tecnológico (métodos de diagnóstico e abordagem terapêutica cirúrgica minimamente invasiva) e terapêutica médica (novas drogas, mais específicas e menos tóxicas).

Sendo uma doença muito heterogénea – varia de formas indolentes até doença metastizada e letal – é importante alertarmos para o diagnóstico precoce da doença. A realização de exames de imagem (ecografia renal) é crucial para a detecção de lesões de baixa gravidade e, consequentemente, melhor prognóstico – e deve ser realizada por rotina em indivíduos de ambos os sexos.

 

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